Quinta-feira fui para São Paulo, apresentar meu trabalho no XV CBMET. Não sou muito fã do CBMET porque não é muito a minha praia (haha, sou oceanógrafo, get it?) — não tinha nem uma área de interação oceano-atmosfera, e meu trabalho acabou enquadrado como “meteorologia marinha”. Mas o chefe mandou, meu trabalho foi aceito como apresentação oral, e lá fui eu.

Eu tinha combinado com o Domingos de irmos juntos de ônibus, e como o ônibus que saía de Cachoeira Paulista não entrava em Lorena (onde em morea) acabei pegando um ônibus para Lorena para de lá pegarmos outro pra São Paulo. Tive que acordar às 4:50 da manhã, pra ir a pé até a rodoviária pegar o ônibus das 5:35. Cheguei em Lorena às 6:00, e 6:20 quando o ônibus da Cometa pra São Paulo encostou resolvi ligar pra ele:

— E aí? ‘Tá a caminho?

— Beto? Que horas são?

Putz. Falei que eu ia pegar o ônibus das 6:30, e falei pra ele pegar o das 8:30 (não, eu não vou esperar duas horas pra pegar o das 8:30 com você, eu acordei às 4:50!). O motivo todo de irmos tão cedo era para assistirmos à palestra do Carlos Nobre, e saindo às 6:30 mal daria tempo de chegar à tempo. Mas pra minha surpresa o ônibus parou na entrada da cidade às 6:40 antes de pegar a Dutra, e o Domingos entrou tropeçando de sono mas pronto.

Claro que a palestra do Carlos Nobre foi adiada para sexta.

Minha apresentação, já no fim do dia, foi tranqüila. Ainda fico nervoso antes de fazer uma apresentação, mas já nem preciso pensar na hora de apresentar, e consigo preparar uma apresentação em meia hora. Teve um bom número de perguntas no final, e acho que de maneira geral o trabalho foi bem aceito.

Pra minha feliz surpresa encontrei o Clemente Tanajura na minha apresentação, que eu não via desde que o conheci em Manaus ano passado. Ele foi o único que concordava com a cabeça enquanto eu explicava o algoritmo analítico que usei no meu trabalho, e o que me fez seguir com uma explicação que o Domingos disse mais tarde ter sido um pouco fora de lugar.

E pra outra feliz surpresa, a primeira coisa que ele fez foi me perguntar se a Carol tinha gostado do colar que comprei pra ela em Manaus. O Clemente tinha me ajudado a escolher — na verdade ele tentou me ajudar a escolher outro presente, porque o colar que eu tinha gostado, e que eu tinha certeza que ela ia adorar, era um pouco caro. Achei legal ele lembrar dessa história quase um ano depois.

Tomamos um chopp, eu, ele & Domingos, ainda no shopping, e colocamos um pouco da conversa em dia. Saindo do Shopping passei no Formule 1 com o Domingos e o Marcelo, também colega do CPTEC, e fomos jantar e tomar uma cerveja no O’Malley’s, meu pub preferido. Apesar de ter que pagar entrada (grr) e da falta de Guinness (pecado!) a comida excepcional e a banda tocando fizeram valer a pena.

Na sexta a palestra do Carlos Nobre foi um pouco decepcionante. Na parte da tarde teve uma mesa-redonda sobre “oceanos, gelo e clima”, que valeu pela presença do meu chefe, meu ex-orientador e alguns outros conhecidos, mas não foi nada de extraordinário. Na verdade eu sempre que as mesas-redondas são só uma série de palestras sobre um mesmo tema, ficando devendo na argumentação de temas mais polêmicos.

Eu e o Domingos discutimos a idéia de fazer um worrkshop de oceanografia tropical nos moldes de uma desconferência com vários BoFs sobre diversos assuntos. Não sei se eu teria coragem de realmente organizar um encontro assim, mas seria interessante.