Cinco e meia da manhã, toca meu celular. Atendo preocupado, porque ninguém costuma me ligar a essa hora.
Alô, eu queria falar com a Maristela?
Maristela? Pô, me acordar às 5:30 porque não sabe discar uma seqüência de 8 números num aparelhinho? Haja paciência, telefone é mesmo um dos aparelhos com o maior potencial para incomodar os outros que existe. Num misto de oportunismo e maldade resisti a resposta pronta “não tem ninguém aqui com esse nome” e respondi:
Ela está no banho, quer deixar recado?
Quem ‘tá falando?
O Beto.
Que Beto?
O Beto, ué. Conheci a Maristela ontem à noite. Quer que eu peça pra ela te ligar quando ela sair do banho?
Não-obrigado-clic.
Se um dia eu morrer e for pro céu a segunda coisa que eu vou perguntar a deus é se existe mesmo uma pequena prova para o teorema de Fermat. A primeira vai ser qual foi o tamanho da confusão que eu causei nessa ligação.