Sábado tivemos o encerramento do semestre na Escola Portátil. Eu e a Carol fomos para lá às 9 da manhã assistir às apresentações das turmas de flauta transversal e violão, no anfiteatro da Unirio. O anfiteatro estava bem lotado, com cadeiras de plástico espalhadas pelo corredor e no palco, e mesmo assim várias pessoas ficaram de pé no fundo da sala — o maior problema é que toda hora alguém esbarrava no interruptor de luz e a sala ficava às escuras, embora a falta de visibilidade não tenha comprometido nenhuma apresentação.

Às 11 horas fizeram um intervalo, e fomos atrás de um dos professores de flauta da escola para achar alguém que fizesse a manutenção da flauta da Carol. Ela não toca há 18 anos, e a última vez que montamos a flauta para ela ver se ainda se lembrava de alguma coisa não conseguimos desmontá-la. Na época a solução foi levar num cara especializado em cons©ertar flautas, mas como o preço era meio salgado pedimos apenas pra ele desmontar a flauta de novo.

Acabamos falando com o Antonio, que gostou da flauta da Carol e falou que ela estava bem cuidada (a flauta, embora ele tenha falado o mesmo da Carol). Ele pegou a flauta, montou, tirou um baita som, desmontou e guardou de volta no estojo. Pegamos o telefone de um flautista que toca na feirinha de Laranjeiras para fazer a manutenção.

Meio dia teve apresentação do Bandão, e lá fui eu com meu pandeiro. Fizemos um aquecimento, e depois tocamos “Saudades do Cavaquinho”, “Santa Cruz em Festa”, “Meninos eu Vi”, “Saliente” e “O Baile”, e para o bis repetimos “Meninos eu Vi” e fechamos com “Benguelê”. Foi bem divertido, como sempre.

Depois da apresentação fomos para Laranjeiras com a Carlinha e o Gilberto, que tinham ido assistir ao Bandão. A idéia era pegarmos o chorinho da feira, e de quebra falar com o flautista, mas quando chegamos o show já tinha terminado. Comemos um pastel (muito bom), caldo de cana e fomos comer bolinho de bacalhau com cerveja num boteco ali por perto. Pouco depois chegou o Giuliano com a Flávia, e depois fomos tomar um café no L’Orangerie (ou “langerie”, como eu falei).

O café acabou virando uma degustação gastronômica, com direito a vinho do porto, chocolate com pimenta, marzipã com cobertura de chocolate e uma torta de chocolate sensacional — e café espresso, claro. Acabou saindo R$ 15 por cabeça, mas vale a pena fazer um programa diferente assim de vez em quando. Pena que a Carol não pôde provar o vindo do porto porque estava tomando antibióticos para a gastrite.

Voltamos pra casa de carona com o Giuliano, e assim que chegamos a Carol pegou a flauta dela. Fiquei impressionado em como ela ainda sabia tocar depois de tanto tempo, e mais ainda quando ela pegou um CD do Altamiro Carrilho que eu dei de presente, com músicas didáticas para flauta acompanhadas das partituras, e começou a tocar só com um pouquinho de dificuldade! Chorinho não costuma ser fácil, com notas altas e rápidas, e embora o CD seja didática as músicas não são exceção.

O único problema foi que na hora de desmontar a flauta o bocal não saía de jeito nenhum! Fiquei fazendo força até domingo, fiquei com as mãos calejadas, e nada! O ruim é que eu fico com medo de apoiar naquele monte de botões, molas, chaves e sei lá mais o quê, então fica complicado, mas mesmo fazendo força o bocal não se mexia. E a flauta acabou ficando assim, desmontada pela metade, sendo que a Carol precisava (e precisa) treinar porque tem entrevista no sábado que vem pra Escola Portátil.

Sei que uma hora deitei pra cochilar e a idéia me veio à cabeça. Levantei, fui até a sala, peguei a flauta e empurrei o bocal pra dentro em vez de puxar. Ele voltou pro lugar e aí puxei pra fora sem dificuldade. O problema todo é que o bocal está ligeiramente amassado, então quando a Carol tentou tirá-lo ela puxou rodando — e com isso ele ficou travado em algum ponto. O segredo é puxar sem rodar, embora um pouquinho de óleo de soja também ajude.

Domingo ainda vimos o Dark City, que o Rafa me passou. O filme é bom, um precursor do Matrix não muito diferente, e o conceito é genial. Mas a realização da idéia é um pouco mal executada, IMHO, com muitos clichês e alienígenas pouco convincentes. A Carol acabou dormindo, mas eu gostei, embora eu ainda prefira o The Thirteenth Floor.